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Due diligence: o que os compradores vão exigir

A due diligence é o momento em que a empresa é examinada ao detalhe. Saber o que vai ser pedido é a diferença entre confirmar o preço e perdê-lo.

Por Tiago Marques · Atualizado a 03 de agosto de 2026 · 10 min de leitura

Depois da carta de intenções, o comprador entra na empresa com equipas de auditores e advogados. O objetivo é simples: confirmar que aquilo que comprou no papel existe na realidade e identificar riscos que justifiquem baixar o preço ou reforçar garantias.

As áreas auditadas

Uma due diligence completa cobre normalmente seis frentes, cada uma com o seu conjunto de exigências documentais.

  • Financeira: qualidade dos resultados, working capital, dívida líquida, previsões.
  • Fiscal: cumprimento declarativo, contingências, preços de transferência, benefícios usados.
  • Laboral: contratos, categorias, horas extra, prestadores de serviços recorrentes, litígios.
  • Legal e societária: atas, participações, contratos com clientes e fornecedores, licenças.
  • Operacional e comercial: concentração de clientes, pipeline, dependências de fornecedores.
  • Tecnológica e de dados: sistemas, licenciamento de software, cibersegurança e RGPD.

Os achados que mais custam dinheiro

Na prática portuguesa, os temas recorrentes são poucos e repetem-se: prestadores de serviços que deveriam ser trabalhadores dependentes, faturação de despesas pessoais, ausência de contratos escritos com clientes-chave, imóveis usados sem contrato de arrendamento formal e IP desenvolvido por terceiros sem cessão de direitos.

Cada um destes achados tem duas consequências: uma quantificação de risco que sai do preço e uma erosão de confiança que endurece toda a negociação seguinte.

Como preparar a empresa

A preparação faz-se com meses de antecedência e é essencialmente documental. Trata-se de reunir, rever e corrigir antes de alguém de fora o fazer por si.

  • Reunir contratos assinados com os principais clientes, fornecedores e colaboradores.
  • Regularizar situações laborais e fiscais pendentes.
  • Formalizar relações com partes relacionadas em condições de mercado.
  • Organizar um data room estruturado por área, com índice e versões finais.
  • Preparar respostas escritas para os pontos fracos conhecidos — o comprador vai encontrá-los.

Vendor due diligence: vale a pena?

Numa empresa com dimensão relevante, sim. Antecipar a auditoria permite corrigir o que é corrigível, quantificar o que não é e chegar à mesa com um relatório independente. Reduz o tempo de processo e limita o espaço para renegociação de preço na reta final.

Perguntas frequentes

Quanto tempo dura uma due diligence?
Tipicamente entre quatro e dez semanas numa PME, dependendo da qualidade da documentação disponibilizada e do número de áreas auditadas.
O comprador pode baixar o preço depois da due diligence?
Pode, se encontrar factos não divulgados que alterem a avaliação. É por isso que a divulgação antecipada dos pontos fracos, com quantificação própria, protege o vendedor.

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